ChatGPT para contabilistas: o que vem agarrado à dúvida do dia
Quase nunca é a contabilidade inteira do cliente. É a dúvida das seis da tarde: o recibo de vencimento que não bate com o processamento salarial, a rubrica da IES por explicar, a declaração periódica em que a AT assinalou divergências, a carta que tem de sair hoje. Cada uma dessas perguntas leva números atrás: o NIF do cliente, o NIPC da empresa, o NISS de cada trabalhador.
A bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados resumiu o problema em outubro de 2025, a propósito das ferramentas de IA: o contabilista «deve saber muito bem onde coloca essa informação». O que o ChatGPT para contabilistas muda não é o sítio onde se coloca a pergunta, é aquilo que a pergunta leva lá dentro quando sai do gabinete.
O Nonimo faz o trabalho braçal. Percorre o texto que se marcou, dá com os identificadores do cliente e põe um marcador no lugar de cada um, sem mexer na pergunta nem no resto do recibo, de maneira que a resposta continue a servir para o que se pediu. Qual o campo que convém tirar de cada papel, e porquê, está tratado na nossa guia sobre o sigilo do contabilista.
ChatGPT no gabinete de contabilidade: um recibo antes e depois
O trabalho todo acontece na máquina do gabinete, com o Windows ou com o Mac, e do texto tratado não viaja para nós palavra nenhuma. Serve para o ChatGPT e para todos os assistentes que se abram no browser, do Claude ao Copilot, porque atua sobre o texto e não sobre o serviço. O que o nosso lado recebe, e o que não recebe, está na página de segurança.
A regra é só uma. Um número cuja forma não deixa dúvidas é trocado de imediato, como um IBAN cujos dígitos de controlo batem certo, que passa a IBAN_1. Um número que não se possa verificar aparece tapado, mas continua visível para quem escreve, que o aceita ou o devolve ao lugar com um clique. É o que acontece ao NIF, ao NIPC e ao NISS.
No recibo inventado do exemplo, a conta tem os dígitos de controlo certos e passou logo a IBAN_1. O NIF, o NIPC e o NISS levam a sua palavra à frente e os três foram ocultados, embora nenhum dos três passe o seu algarismo de controlo. E para responder sobre o recibo a IA não precisa de mais do que os marcadores: o valor verdadeiro volta na resposta.
Antes: o texto colado
Recibo de vencimento, março de 2026 Trabalhador com NIF 000 000 001 e NISS 00000000001. Entidade empregadora com NIPC 000 000 002. Pagamento por transferência para PT50 1234 4321 1234 5678 9017 2. O líquido não bate com o processamento salarial. Onde está a diferença?
Depois: o que a IA recebe
Recibo de vencimento, março de 2026 Trabalhador com NIF [REFERENCIA_1] e NISS [REFERENCIA_2]. Entidade empregadora com NIPC [REFERENCIA_3]. Pagamento por transferência para [IBAN_1]. O líquido não bate com o processamento salarial. Onde está a diferença?
O que a guia de IA da Ordem pede a quem usa o ChatGPT no gabinete
A guia não é nossa nem da Ordem: escreveu-a a EFAA, federação europeia de contabilistas em que a Ordem participa, e foi a Ordem que a fez chegar aos membros em maio de 2025. Não é regulamento nem traz sanção, mas pede três coisas: preferir as versões empresariais às gratuitas, retirar a informação pessoal antes de entrar na IA e conservar prova de todas as interações com dados do cliente.
O primeiro ponto resolve-se com a conta que o gabinete contratar. O segundo é o que fica de fora do contrato com o fabricante, e a própria guia admite que se automatize com ferramentas que identifiquem e ocultem a informação sensível dos documentos financeiros. O terceiro, a prova das interações, fica com o gabinete: o Nonimo não guarda nota do que ocultou.
À luz do RGPD, trocar um NIF por um marcador que se pode desfazer é pseudonimização, e dizemo-lo nós antes que o EPD do gabinete o diga. Por isso a ferramenta não dispensa a regra escrita da casa, para a qual temos um modelo de política de IA pronto a adaptar.
ChatGPT para contabilistas: preço e como começar
Funciona em Windows 10 e 11 e em macOS 14 ou mais recente com Apple Silicon, e instala-se posto a posto, como qualquer programa. No plano gratuito do Nonimo há um limite mensal de palavras. Para o retirar, basta deixar o seu e-mail na página da licença para receber uma licença gratuita válida até 31 de janeiro de 2027, sem criar conta nem palavra-passe.
Quem assina é o contabilista certificado, inscrito a título pessoal ao abrigo do artigo 21.º, n.º 1, do seu Estatuto, e por isso a aplicação vive no computador dele. Num gabinete inteiro, a informática instala por política a extensão do navegador em todos os postos, e o painel recebe só contagens, nunca o texto.
No dia a dia, o gesto repete-se: marca-se a pergunta junto com o recibo, prime-se a tecla e cola-se no assistente que o gabinete já usa. O NIF, o NIPC e o NISS seguem como marcadores e o valor verdadeiro volta na resposta. Para o gabinete inteiro, ou para uma sessão sobre como usar o ChatGPT para contabilistas sem entregar dados de clientes, escreva para hello@nonimo.ai.
- Gratuito hoje, em Mac e Windows
- Com um limite mensal de palavras
- A licença gratuita retira-o até 31 de janeiro de 2027, sem conta
Pedir a licença Descarregar para Mac Descarregar para Windows
Perguntas do contabilista certificado
Um contabilista certificado pode usar o ChatGPT?
Pode, com a informação do cliente fora do texto. O dever de segredo vem do artigo 72.º do seu Estatuto e cobre tanto o que se sabe como os papéis que passam pelas mãos no exercício da profissão, sem exceção para ferramentas informáticas. O Nonimo troca por marcadores o NIF, o NIPC e o NISS enquanto o texto ainda está no seu posto.
A guia de IA que a Ordem divulgou é obrigatória?
Não é. Foi escrita pela EFAA, federação europeia de contabilistas em que a Ordem participa, e não traz sanção nenhuma; obrigatório é o Estatuto. Ainda assim, é o documento sobre IA que a Ordem pôs nas mãos dos membros, em maio de 2025, e serve de vara de medir. O Nonimo trata do ponto que pede tirar a informação pessoal antes.
O gabinete já paga a versão empresarial do ChatGPT. Não chega?
Chega para o primeiro dos três pontos da guia, que prefere as versões empresariais às gratuitas. O segundo, retirar a informação pessoal antes de ela entrar no sistema de IA, continua por fazer, e um contrato com o fabricante não o faz pelo gabinete. O Nonimo trabalha por cima da conta que tiverem, paga ou gratuita, e é aí que entra.
A Ordem vai publicar regras próprias sobre IA?
Anunciou que sim. A bastonária, Paula Franco, anunciou em outubro de 2025 um manual próprio sobre responsabilidade, ética e sigilo, com esta ideia por trás: o contabilista «deve saber muito bem onde coloca essa informação». À data desta página não o encontrámos publicado; quando sair, manda esse manual e esta página muda com ele.
Que informação chega ao Nonimo quando o gabinete o usa?
Do texto tratado, nem uma palavra: a deteção acontece toda na máquina do gabinete. Uma vez por dia sai uma contagem de uso, que leva a versão instalada e o sistema, e essa contagem não tem interruptor na aplicação. A nossa página de segurança descreve campo a campo o que esse envio leva e o que não leva.